(extraído do livro Enxaqueca – Só Tem Quem Quer - DR. Alexandre Feldman)
Os ciclos de claridade e escuridão controlam os níveis de insulina, não apenas através da ingestão de carboidratos, mas também de mecanismos de geração de stress.
Com as luzes acesas, o hormônio do stress (cortisol) permanece elevado. Ele age favorecendo a presença de açúcar no sangue. Isso eleva os níveis de insulina, no intuito de armazenar esse açúcar nos músculos. Traduzindo: O simples fato de assistir TV no horário nobre, mantém os níveis de insulina elevados por mais tempo que a Natureza tencionava.
No cérebro, esses níveis anormais de insulina desequilibram neurotransmissores como a serotonina e a dopamina.
Para nossos ancestrais, os dias de luz prolongada eram sinal de fim de verão e proximidade do inverno, ou seja, de um período de grande escassez de alimentos. Os curtos ciclos de sono resultantes da luz prolongada causavam um aumento na necessidade de ingerir carboidratos, a fim de produzir o máximo de insulina e armazenar o máximo de gordura.
É por isso que hoje, a fissura por um doce ocorre à noite com as luzes/TV acesas, e não de dia.
Milhões de anos de evolução programaram esse comportamento.
Mantendo a insulina alta durante a noite, período em que ela deveria estar muito baixa, também mantém altos os níveis de cortisol durante a maior parte da madrugada.
O cortisol demora tanto para diminuir, que atrasa a hora natural para voltar a se elevar. Ao amanhecer, o cortisol ainda se encontra baixo. Isso é o oposto do ritmo natural. É preciso acordar com níveis altos de cortisol, para lidar bem com o stress no restante do dia.
A Natureza nos projetou para acordarmos com fome, com a insulina lá em baixo e com o cortisol no seu pico. Ao invés disso, dorme-se tarde, acorda-se com o cortisol lá em baixo e a insulina bem mais alta que deveria.
Nessa situação, é fácil pular o café da manhã, afinal com a insulina alta, você não sente fome.
Além de propiciar o stress, essa falta de cortisol pela manhã leva à não estimulação da dopamina, resultando numa alteração da percepção da passagem do tempo: os dias parecem passar muito depressa. Além disso, com a dopamina baixa, a memória fica péssima!
Para mudar sua história de enxaqueca, ou depressão, pânico, memória fraca e ansiedade, você precisa ir dormir bem mais cedo. O quanto mais cedo for possível! Na verdade, o quanto mais próximo da hora de anoitecer. Nos primeiros 3 meses, procure seguir esta orientação à risca.
Nunca é demais repetir: não confunda ir dormir mais cedo com acordar mais tarde. Acordar mais tarde não resolve, e pode até desencadear crises de enxaqueca. Já ir dormir cedo, não desencadeia crises. Comprove!
Débito de Sono
Surge a clássica pergunta: O número de horas de sono não é muito individual? Cada um não tem o seu ritmo? Não existe gente que dorme só 5 horas por noite e se sente muito bem no dia seguinte?
Na realidade, não é bem assim. O mais comum é o indivíduo achar que está se sentindo sem sono. As pessoas não sabem dormir. Quando elas dormem, não é por um mecanismo natural que se iniciou ao escurecer, e que culmina no sono. Elas pegam no sono por pura exaustão!
Por que não sentem sono durante o dia? Sentem sono, mas não sabem. Não se apercebem. Não reconhecem! Quer uma prova? Deixe essa pessoa que dorme 5 horas por noite, esperando sentado numa sala bem confortável, sem TV, sem barulho, sem outras pessoas ao redor, só algumas revistas para ler, por meia hora, a qualquer hora do dia. Essa pessoa certamente vai adormecer.
Estudos científicos já demonstraram o conceito de débito de sono, uma espécie de sistema "agiota" da Natureza, um mecanismo cerebral que mantém a conta exata das horas de sono que faltam dormir.
As pessoas, especialmente estas que se vangloriam por dormir pouco, vivem se estimulando com café, refrigerantes, cigarros... a cafeína e a nicotina são estimulantes, lembre-se. Essas pessoas vivem o dia estressadas. Criam em torno de si um ambiente de cobranças (ainda que auto-cobranças) e stress, pois assim, estímulos é o que não lhes faltam. Essas pessoas criam, automaticamente, tantos mecanismos de obtenção de estímulos, que acabam se afogando neles. Se não de dia, à noite.
Além disso, jamais se esqueçam: a enxaqueca compreende, por coincidência, um estado de hiperatividade das células cerebrais (neurônios)!
À noite, quando muitos gostariam de dormir, simplesmente não conseguem! A mente, que criou tantos estímulos o dia inteiro, todos os dias, há tanto tempo, acaba automaticamente prolongando esses estímulos, desta vez sob a forma não de ações, mas de pensamentos, bem na hora que você gostaria de dormir. Assim, muitos custam a adormecer.
Outros adormecem rapidamente graças ao débito elevado de sono aliado à exaustão, porém acordam poucas horas mais tarde, e simplesmente não conseguem voltar a dormir, por causa desses pensamentos estimulantes que surgem sem trégua.